06/09/08

Notas Contemporâneas

1-A constante referência do passado de herói de guerra de John McCain como trunfo perante Barack Obama nas eleições para a presidência dos Estados Unidos não pode deixar de me fazer lembrar um sketch do Gato Fedorento. Sim, aquele do "gajo de Alfama", que a partir do momento em que diz que esteve na Guiné ganha um tal ascendente sobre os demais convidados, que o torna o mais capacitado e informado comentador sobre tudo o que se passa no mundo das relações internacionais.*


* Apesar de todo o respeito que me merece o sofrimento por que McCain passou (foi prisioneiro de guerra no Vietname durante 5 anos, tendo sido vítima de doença, tortura e isolamento).

2-A História mostra-nos que as revoluções contemporâneas foram sempre impulsionadas, não pelas classes mais baixas, ou pelas classes mais altas, mas sim pela classe média descontente.

Olhemos então para o que se passa hoje em dia em Portugal.

As novas gerações são as que melhores habilitações académicas possuem. São mais cultas (por vezes, diz-se que os jovens dos anos 50 e 60 e por aí fora eram mais cultos - talvez, mas eram uma minoria, com uma cultura reduzida praticamente à influência francófona e marxista ou afim), o acesso fácil à viagem dá-lhes um conhecimento do mundo muito maior (antigamente, os que podiam sair de Portugal, não saíam do circuito Paris - Suíça - Alemanha, onde estavam as universidades), dominam as novas tecnologias e as línguas, etc, etc.

Porém, só uma minoria, mesmo muito minoria das novas gerações é que consegue o acesso a cargos, postos, empregos, de acordo com as suas competências. Este facto gera frustração. À medida que o tempo for passando e que este grupo de pessoas vá engrossando, a frustração será maior. A consciência de que são os mais capazes, mas que não conseguem chegar onde merecem por factores que lhes são alheios, gerará uma massa de jovens e jovens adultos descontentes. Uma massa que, ao contrário de outras massas do passado, tem margem de manobra, tem poder, o poder do conhecimento, do esclarecimento. Um dia, quando essa massa for suficiente grande, poderemos vir a enfrentar convulsões político-sociais decisivas, não apenas a nível nacional, mas sobretudo europeu, caso não surjam soluções alternativas para a política de emprego que se vai praticando.

Trata-se apenas de uma reflexão. Não sei se fará sentido a toda a gente. A mim faz. Algum, pelo menos.

3-Hoje, ao passar pela RTP1 dei de caras com um videoclip dos Metallica. Tratava-se de "The Day That Never Comes", do seu novo álbum intitulado Death Magnetic.

Gostei. Parece-me haver uma tentativa de recuperar alguma da sua sonoridade nos anos 80 e princípio dos 90. Na verdade, quase consegui reconhecer partes de músicas de álbuns do passado em diversas passagens da nova faixa. O corpo da música, por assim dizer, lembra-me o "The Unforgiven"; o refrão tem algo do "Fade To Black"; há uma espécie de interlúdio, que me lembra as guitarras enroladas do Load misturadas a bateria crua, violenta e complexa do ...And Justice For All; depois, há uma sequência instrumental acelerada que lembra o "One", a que se segue uma fantástica guitarra melódica, que remete para Iron Maiden (uma das influências da banda - talvez não seja por acaso que, este ano, no concerto que deram no Rock In Rio, Kirk Hammett, numa das improvisações de guitarra entre-músicas que são seu hábito, tenha dedilhado um pouco de "Hallowed Be Thy Name", dos Maiden) e para o metal mais progressivo, o qual tinham por hábito aflorar pontualmente em álbuns como Ride The Lightning, Master Of Puppets e ...And Justice For All.

Em conclusão: trata-se de um épico de 8 minutos, com uma estrutura muito semelhante a "One" (o tema também é a guerra), embora com uma componente progressiva mais marcada.

Aqui fica o videoclip. Veremos o que o resto do álbum nos reserva...



METALLICA - "THE DAY THAT NEVER COMES"

18/06/08

Balanço de uma ida à Feira do Livro

A vida está cara.

Assim, este ano, a pesca foi pouca. Aqui ficam os livros que comprei por lá:

1-Brinde aos Senhores Assinantes do Diário de Notícias em 1881.
Trata-se de uma raridade que consegui sacar ao módico preço de... 5 euros! Remonta ao ano de 1882 e inclui a primeira edição de um conto de Fialho de Almeida, "O Roubo", que foi depois coligido em A Cidade do Vício, daí grande parte do meu interesse. Comprei-o num alfarrabista, obviamente.

2-Mendo Castro Henriques, et. al., Dossier Regicídio - O Processo Desaparecido.
Esta obra parece-me estar muito bem organizada, para além de basear-se numa análise de numerosa bibliografia e, mais importante, de muitas fontes inéditas e pouco trabalhadas. Ainda não tive tempo para a ler. Apenas a folheei. Porém, já dá para ter duas ideias sobre ela: primeiro, não parece trazer grandes novidades sobre o assunto - novidades no sentido de descobertas; segundo, o seu discurso é bastante faccioso, a pender para o lado monárquico - na verdade, parece-me uma espécie de ajuste de contas com fantasmas de historiadores republicanos ou algo do género. Na escrita da História, devemos fazer um esforço para não deixar as nossas convicções pessoais, inclusive as políticas, interferirem com as análises produzidas, embora saibamos que a objectividade total é impossível, ainda mais nas Ciências Sociais e Humanas. Tal esforço parece não ter existido nesta obra. Mas não me queria alongar mais, enquanto não a ler, para não cair na injustiça.

3-Jack Kerouac, Os Subterrâneos
Um clássico de um dos expoentes da Beat Generation. Escrito em três noites com benzedrina como combustível, é talvez o melhor exemplo da "prosa espontânea" de Kerouac, ou seja, de um estilo de escrita que se queria completamente livre e fluido, sem correcções ou reflexões, bem improvisada, como se de uma música de jazz se tratasse. Aliás, nem existem pontos, apenas travessões...

4-Charles Baudelaire, A Invenção da Modernidade
Trata-se de uma compilação de vários textos de Baudelaire e que me interessam particularmente para a tese.

5-Ambrose Bierce, Dicionário do Diabo
Da autoria de um dos principais escritores e jornalistas norte-americanos da segunda metade do século XIX e início do século XX, desaparecido no México em 1913 ou 1914, este livro dá-nos, com grande humor e lucidez, uma visão de como o mundo é e não como o queremos ver, ou seja, segundo a sua própria definição, cínica, no verdadeiro significado da palavra. Algumas entradas:

"HISTÓRIA, n. Um relato geralmente falso de acontecimentos geralmente fúteis, contados por governantes geralmente velhacos e soldados geralmente tolos."
"HISTORIADOR, n. Bisbilhoteiro em larga escala."
"CONFERENCISTA, n. Indivíduo que tem a mão no nosso bolso, a língua no nosso ouvido e a fé na nossa paciência."
"CIRCO, n. Um sítio onde os cavalos, os póneis e os elefantes podem ver homens, mulheres e crianças a fazerem figura de parvos."
"LEITE-CREME, n. Uma substância detestável que resulta da conspiração maléfica entre a galinha, a vaca e o cozinheiro."
"IGNORANTE, n. Uma pessoa que desconhece certas coisas que nos são familiares, conhecendo outras coisas das quais nunca ouvimos falar."

Huuuuuuum...

Os resultados das provas de aferição de Português e Matemática realizadas pelos alunos do 4º e 6º anos de escolaridade foram hoje divulgados.

Devo dizer que, quando os vi, lembrei-me imediatamente das eleições do tempo do Estado Novo...

Tirem as vossas próprias conclusões.

08/06/08

Pão e Circo

Todo este circo mediático montado à volta da selecção nacional de futebol já começa a enjoar. E digo desde já que sou insuspeito, pois gosto de futebol (já gostei mais, confesso...).

Quando comecei a ligar a estas coisas do futebol com mais entendimento, nos inícios dos anos 90, a selecção era praticamente ignorada. Vivia-se no auge dessa patologia conhecida como clubite. Eu, pelo contrário, sempre me interessei mais pela selecção do que pelo meu próprio clube. Era uma oportunidade de ver jogar juntos os melhores jogadores portugueses e isso bastava-me. Agora, passou-se para o extremo oposto e não se fala noutra coisa. É impossível ver 15 minutos de televisão sem ser interrompida a emissão porque o Petit foi à casa-de-banho, porque o Ronaldo partiu o seu telemóvel, porque o Deco meteu o dedo no nariz ou porque há meia-dúzia de emigrantes portugueses a comerem feijoada à porta do hotel da selecção.

Não há paciência! É resumos, é directos, é reportagens, entrevistas a qualquer tipo que ande de cachecol e aos saltos por esse país(es) fora (Portugal e Suíça). Bons tempos aqueles, em que víamos o que realmente importava - os jogos - com um resumo e análise breves à noitinha.

Como é o país que somos, um país que, devido a estas atitudes, denota, segundo o jornalista David Borges, traços de mentalidade terceiro-mundista, e como temos uma boa equipa, estamos condenados a este carrossel durante todo o mês de Junho. Se Portugal for campeão, Julho é todo para comemorar. Depois mete-se Agosto e vai tudo de férias. Setembro é para acordar e enfrentar o Inverno e o regresso ao trabalho, que se avizinham. Ou seja, até Outubro o país vai parar físicamente, e digo físicamente, porque mentalmente já ele anda todo o ano...

Durante esse período, o preço do combustível até é porreiro, a educação funciona bem (até porque as escolas estão fechadas), as listas de espera no hospital são coisa menor, os pescadores já não se importam com as dificuldades de sustento, etc, etc.

O circo já temos. Resta esperar que "pão" vai ser distribuído...

30/04/08

Músicas do Baú


Desta vez, é tempo para voltar, mais uma vez, ao melhor do rock progressivo nos anos 80, o que quer dizer Marillion. Influenciados por bandas como os Genesis (da fase Peter Gabriel), os Marillion da era Fish (nome por que era conhecido o seu primeiro vocalista), que foi também a sua "era fixe", conseguiram tornar o rock progressivo mais acessível ao grande público sem, no entanto, abdicarem na complexidade instrumental e lírica. Isso foi conseguido, em grande parte, pela adopção por uma sonoridade de guitarra com base blues, ao estilo David Gilmour (Pink Floyd), ao contrário do que acontecia com os Genesis, cuja base de guitarra era essencialmente clássica. Tal terá facilitado o surgimento de músicas mais perto da sonoridade pop-rock. A simples edição das suas faixas mais sonantes, retirando as partes instrumentais mais cansativas para o ouvido habituado aos três minutos e meio da praxe, permitiu-lhes criar automaticamente singles de grande sucesso.

Aqui deixo dois vídeos filmados ao vivo: um com "Garden Party", outro com "Chelsea Monday", uma das melhores músicas que já ouvi (e certamente com dois dos melhores solos de guitarra). Fazem ambas partes do primeiro álbum da banda, Script For A Jester's Tear, de 1983.




"GARDEN PARTY"




"CHELSEA MONDAY"

18/04/08

Aviso

NOVO BLOG DE DIVULGAÇÃO MUSICAL:
Altamente recomendado pela crítica.

P.S.: Devido ao surgimento deste novo espaço, muitas das sugestões musicais serão para lá direccionadas.

04/04/08

Destroços na Noite Polar

Gottfried Helnwein : Untitled (After Caspar David Friedrich)


GOTTFRIED HELNWEIN (1948-)
"UNTITLED (AFTER CASPAR DAVID FRIEDRICH)", 1998

Burning The Fields



Atenção ao texto na segunda imagem...

Músicas do Baú

Entre 1972 e 1973, um músico de rock oriundo do planeta Marte fez a sua tournée aqui na Terra. Chamava-se Ziggy. Ziggy Stardust.


DAVID BOWIE - "ZIGGY STARDUST"

A 3 de Julho de 1973, Ziggy despediu-se.




DAVID BOWIE - "ROCK N' ROLL SUICIDE"

A partir de então, na música, nada voltou a ser como dantes...

20/02/08

Iluminações Abruptas

Leiam este post. Chamo a atenção para os últimos dois parágrafos.

Realmente, não estamos nos nossos melhores dias, mas felizmente temos uma alma iluminada e superiormente lúcida como a de Pacheco Pereira, que paira sobre nós, comuns e reles mortais (e ainda para mais portugueses), para nos chamar à razão...

Lisboa, 18 de Fevereiro de 2008

15/02/08

Aniversário

1 Ano

01/02/08

Reflexões Ensonadas sobre História Política

Através de um post do José Reis Santos no blog da Loja de Ideias cheguei até a um outro publicado n' O Cachimbo de Magritte, assinado por Pedro Picoito, sobre o qual gostaria de dizer algumas palavras.

A certa altura, podemos ler:

...a Primeira República, à espera de festa em 2010, foi o assalto ao poder de um partido minoritário e o uso do Estado contra a maioria. Não foi nem quis ser um regime de "todos os portugueses".
Nada o ilustra melhor do que a diminuição do universo eleitoral. Na monarquia, o voto era censitário, ou seja, votava quem pagava impostos. Na República, o direito de voto foi retirado aos analfabetos, cerca de três quartos da população.

É verdade que foi o assalto ao poder um partido minoritário. É verdade que o Estado foi usado contra a maioria. Não é verdade que não tenha querido ser um regime para todos os portugueses, embora, na prática, acabou por ser isso aconteceu. A ideia dos republicanos era formar cidadãos segundo os princípios positivistas. A pedagogia, a educação, até a medicina, seriam os meios de o conseguir. O próprio ensino primário deveria ser universal segundo aquilo que pensavam. Logo a ideia inicial seria uma espécie de formatação de mentalidades. Assim, a República, cercada por um país maioritariamente rural, analfabeto, católico e conservador, dominado pela Igreja, começou por reduzir o direito de voto para poder criar uma margem de manobra para a sua sobrevivência: ou seja, tentou evitar perder nas urnas o que tinha ganho de forma revolucionária, colocando grande parte da população em "quarentena", enquanto o seu projecto de renovação mental, através dos processos de que já falámos, seria aplicado. Se tudo tivesse corrido bem, em 10, 20 anos, o ideal republicano estaria disseminado de uma forma mais homogénea, e provavelmente o direito de voto teria sido alargado. Porém, a falta de estabilidade governativa, resultante de um regime demasiado assente no Parlamento, na necessidade de sobreviver face à ameaça monárquica, na incapacidade de diálogo entre os diversos partidos nascidos do PRP e destes com os anarquistas e socialistas, fez com que a República degenerasse.

Depois:

Assim, a chamada República Velha significa um corte histórico com a tradição liberal portuguesa, para o bem e para o mal representada pelas sete décadas de constitucionalismo monárquico. Ao contrário do que ensina a mitologia corrente, a Primeira República não antecipa a democracia, de que a "longa noite do fascismo" seria apenas um intervalo, mas a ditadura do próprio Estado Novo. O quadro histórico em que se movem Afonso Costa e Salazar é o mesmo. A extraordinária violência da política republicana, que contamina o quotidiano do país, abre caminho à violência ordinária e quotidiana do salazarismo, que despolitiza o país. O país, cansado de política, suspirou de alívio. Durante 48 anos.

Bem, não me parece que a República signifique um corte histórico com a tradição liberal portuguesa. Se falarmos em "liberalismo" como sinónimo de "constitucionalismo" não foi um corte. Se falarmos em "liberalismo" no sentido de conjunto de cidadãos que se governam a si próprios, no salve-se quem puder, no cada por si, que tantos hoje gostam de apregoar contra o Estado social, aí sim, houve um corte.

Não me parece que a balbúrdia e violência que existiu na 1ª República tenham muito a ver com a violência do Estado Novo. Embora uma coisa me parece certa: as primeiras estiveram, em grande parte, na origem do segundo. Acho mesmo que se a Monarquia Constitucional tivesse continuado, não teria havido Estado Novo. A República foi simplesmente proclamada na altura errada, no local errado. O país era demasiado atrasado para um regime tão vanguardista. E quem diz Portugal, diz Espanha ou Itália. Porquê? Basta ler o que disse Antero de Quental nas "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares". Vinte e tal anos depois, a Espanha teve a sua República e ainda não estava preparada (embora aí houvesse já, também, a influência dos fascismos europeus), quanto mais Portugal em 1910...

Uma coisa é verdade: a Democracia portuguesa de hoje, na orgânica dos poderes, tem mais a ver com a Monarquia Constitucional do que com a 1ª República. O actual poder do Presidente da República é, no fundo, o poder moderador que o rei tinha à época, tal como delineado inicialmente por D. Pedro IV. O Parlamento, apesar de agora só ter 1 câmara, não é todo poderoso como na 1ª República.

Seja como for, a 1ª República existiu. Teve os seus defeitos, mas também as suas virtudes. Se na prática pode ter tido algumas acções menos dignificantes, porque as teve, devemos respeitá-la pelos valores que procurou encarnar.

Ainda:

O jacobinismo consiste em privilegiar a via revolucionária, a redução da política ao conflito, a eliminação do inimigo do espaço público, em nome do progresso. Um progresso que os jacobinos têm o destino cósmico de nos trazer. Aron explica.

Todas as correntes políticas se consideram as verdadeiras portadoras do progresso (até Raymond Aron, nessa explicação, se achava, com certeza, portador de uma verdade cósmica). E todas o procuram de maneira diferente: os jacobinos através da violência revolucionária; os conservadores, querendo deixando tudo como está, apostam na violência do silêncio, da imobilidade; os liberais preferem o salve-se quem puder, o cada um por si, quase querem acabar com o Estado... mas não acabam. Ao contrário dos anarquistas, para estes o Estado dá imenso jeito... mas é quietinho, ali no canto... apenas como recurso, quando as coisas lhes correm mal. "Que o Estado não se meta na nossa vida!". Mas quando a coisa dá para o torto, correm para ele como para as urgências de um hospital.

25/01/08

O Regicídio e os maniqueísmos que este desencadeia

Por intermédio de um amigo, recebi a seguinte mensagem de e-mail, da autoria da associação cívica República e Laicidade:

à atenção de
xxxxxxxx,

1. Exército da República em manifestações monárquicas... !?

Nestes últimos tempos, as (ainda existententes...!) «hostes monárquicas» portuguesas têm andado, muito atarefadas, a promover o «seu» centenário do «1 de Fevereiro», «Dia do Regicídio» e a tentar que ele seja assumido pelos portugueses como um «dia de luto nacional».

Estão no seu direito: na nossa República os monárquicos têm um quadro legal que lhes permite fazerem, pacífica e democraticamente, a propaganda das suas ideias políticas !

No entanto -- como é bom de entender --, a República não pode dar apoio institucional àqueles projectos (monárquicos e não só) que abertamente visem a sua destruição.

Nesse entendimento, atempadamente -- e. ao que parece, sem qualquer resultado visível !!! --, chamámos a atenção do Ministro da Defesa Nacional e do Chefe do Estado Maior do Exército para uma prevista participação oficial de elementos do Exército -- Regimento de Lanceiros, Fanfarra do Exército e do Colégio Militar e Grupo de Música de Câmara da Banda Sinfónica do Exército -- nas manifestações políticas monárquicas -- manifestações políticas assumidamente anti-republicanas, portanto -- que terão lugar a 31 de Janeiro e a 1 de Fevereiro próximos.

ver:
http://www.laicidade.org/2007/12/20/republica-monarquia

2. Atentado de 1 de Fevereiro de 1908 (Regicídio)

No «site» da associação R&L disponibiliza-se um «dossier» bastante exaustivo (com alguns documentos menos conhecidos) sobre o atentado de 1 de Fevereiro de 1908 (Regicídio)

ver:
http://www.laicidade.org/?page_id=1314

Gostaríamos de ver na Praça do Comércio uma placa que fizesse justiça à memória de Manuel Buíça e Alfredo Costa, os dois cidadãos que, a 1 de Fevereiro de 1908, aí mataram a Monarquia, dando a sua própria vida em prol da República e da Liberdade dos portugueses.

ver:
http://www.laicidade.org/?page_id=1307

3. Palestra «Do 28 de Janeiro ao 5 de Outubro»

Por serem republicanos, na sua maioria, os portugueses sabem que só a República pode conferir a cada qual um estatuto inteiro de «cidadão» e que só com «cidadãos inteiros» será possível construir o futuro mais livre, mais justo e mais solidário (Constituição da República) que almejamos ter.

Assim sendo, os portugueses, com os olhos mais postos no futuro do que no passado, não querem, decididamente, voltar a ser súbditos de nenhum soberano, seja ele qual for.

Mas o passado também interessa aos republicanos, na exacta medida em que dele podemos colher ensinamentos para o presente e para o futuro.

Nessa perspectiva, a associação R&L promove no próximo dia 29 de Janeiro, na Biblioteca-Museu República e Resistència, uma palestra onde o historiador Francisco Carromeu nos ajudará a recordar os principais intervenientes e os mais relevantes eventos que, historicamente, nos fizeram transitar de uma (velha) Monarquia para uma (primeira) República.

ver:
http://www.laicidade.org/2008/01/17/conferencia-1-2008

Saudações republicanas e laicas de
xxxxxxxxx



Gostaria de analisar brevemente algumas afirmações dos dois primeiros pontos. Desde já, devo informar que sou republicano e de esquerda, mas também sou historiador e, por isso, dificilmente consigo olhar para estes assuntos sem os olhos do cientista social que procura ser, o mais possível, objectivo e imparcial na análise dos factos do passado. Devemos defender as nossas ideias, mas também devemos ser lúcidos, justos e evitar os facciosismos e as diabolizações.

1-O primeiro ponto parece, à partida, fazer todo o sentido. Porém, pensemos nas cerimónias que assinalam o 1º de Dezembro de 1640. Têm tudo a ver com monarquia. E como essas, muitas outras. No entanto, fazem parte das celebrações da República Portuguesa, e contam sempre com a presença de entidades oficiais. O que é dito no e-mail leva-nos a pensar que nenhuma figura ligada ao Estado poderia, por exemplo, inaugurar estátuas de reis, ou edifícios com nomes de reis ou ruas com nomes de reis. Aliás, nem poderiam existir ruas com nomes de reis, o que constitui uma homenagem, porque seria uma atitude anti-republicana.
Sou republicano e não vejo as coisas assim.

2-Concordo com a colocação de uma segunda placa na Praça do Comércio, desta vez em homenagem a Manuel Buíça e Alfredo da Costa. Porém, não concordo com o texto a colocar. Em vez de: "Neste local a 1 de Fevereiro de 1908 Manuel dos Reis Buíça e Alfredo Luís da Costa deram a vida pela liberdade, pela República", penso que seria mais adequado "Neste local a 1 de Fevereiro de 1908 Manuel dos Reis Buíça e Alfredo Luís da Costa deram a vida pelo ideal republicano", o que não é bem a mesma coisa.

De facto, a frase sugerida implica que não existiria liberdade em Portugal. Pois, para quem não sabe, Portugal era uma Monarquia Constitucional desde 1834. João Franco, à época, governava em ditadura, tal como, por exemplo, Hintze Ribeiro havia feito alguns anos antes. Governar em ditadura na época não tinha nada a ver com governar em ditadura nos anos 20, 30 ou 40. Significava apenas governar com o Parlamento fechado e era prática comum pelo menos desde meados dos anos 90 do século XIX. Quando o Governo encontrava dificuldades inultrapassáveis, fechava o Parlamento durante uns meses, fazia o que tinha a fazer, e voltava a abri-lo. Uma atitude nada democrática, é certo, mas que nada tinha a ver com as ideologias autoritárias que surgiriam mais tarde. Aliás, a primeira ditadura portuguesa (e talvez mundial) de tipo moderno, surgiu no seio da República, liderada por um republicano: Sidónio Pais. Já antes, Pimenta de Castro havia chefiado uma outra, e, em 1926, foram muitos os republicanos que apoiaram a Ditadura Militar e, depois, o Estado Novo.

A repressão franquista não tem nada de extraordinário: qualquer regime político em vigor, sentindo-se perigosamente ameaçado, procura sobreviver a todo o custo. Veja-se o que aconteceu nos primeiros tempos da República...

Para terminar: a melhor maneira de nos aproximarmos da verdade dos factos é olhar o passado a partir do maior número de perspectivas possíveis, procurando a objectividade e rejeitando as ideias-feitas. O dossier de documentação para que nos remete um dos links indicados no mail é bastante interessante, porém, seria mais completo se pudesse incluir visões de monárquicos, para poder haver comparação.

Ah... e viva a República! [Lúcida e capaz de se auto-analisar].

P. S.: Nos dias 8 e 9 de Fevereiro vai decorrer um colóquio sobre o Regicídio. A organização é do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL. Aqui fica o link para o programa.

07/01/08

Fragmentos sobre literatura portuguesa a propósito da morte de Luís Pacheco

Morreu o Luís Pacheco.

Não tivemos Romantismo, nem Decadentismo "como deve ser".

Tivemos um Modernismo que não passou de uma designação.

Não tivemos Angry Young Men, nem Beat Generation.

O nosso século XX literário foi dominado pela prosa neo-realista, repetitiva, pouco imaginativa, clamando liberdade, não sabendo ela própria que o seu estilo era uma prisão. Mesmo a nossa poesia, embora de grande qualidade, sofreu, a meu ver, e no geral, de alguma falta de sal.

Pacheco, Cesariny e mais um ou outro nome foram excepções, cometas no panorama cultural português.

O que nos espera no futuro?

Parece-me que coisas melhores.

A literatura portuguesa abre-se a novos estilos, novas correntes. Quer dizer... velhas, mas novas em Portugal. Já se escreve ficção científica, terror, fantasia e recuperou-se o romance histórico (até ao ponto do vómito). À excepção deste último, tratam-se de correntes raríssimamente cultivadas por cá.

É um começo. Agora é continuar.

22/12/07

Músicas do Baú

Já não ouvia isto há eras. Nem sabia que tinha videoclip. Aqui fica o belo do punk português da viragem dos anos 80 para os 90. E eles ainda andam por aí...




MATA-RATOS - "A MINHA SOGRA É UM BOI"

06/12/07

Notas Contemporâneas

1-Será que estamos a assistir ao primeiro passo no regresso da "polémica", essa instituição do debate intelectual português (e não só) no século XIX e boa parte do século XX? Espero que sim. Desacordos sobre assuntos literários, artísticos, culturais em geral, devem ser debatidos e discutidos nos periódicos, e não em tribunais, como é hábito actualmente. Qualquer coisa e pumba: processo, ou pior, ofensas pessoais, violência física, etc.
Falo da questão que opõe Vasco Pulido Valente a Miguel Sousa Tavares.
Na minha opinião, acho que ambos, enquanto críticos, devem aprender a ser mais humildes e menos arrogantes, portanto isto só lhes faz é bem.

2-A semana passada foram repetidos, se não todos, pelo menos alguns episódios de O Portugal de.... Em cada um, o historiador Rui Ramos entrevista uma personalidade e procura saber qual a sua visão sobre o nosso país. Já tinha visto alguns quando passou pela primeira vez. Gostei especialmente da lucidez e verve do Miguel Esteves Cardoso.


3-Bom programa hoje de tarde no Sociedade Civil. Fernando Rosas, Ruben de Carvalho e Nuno Teotónio Pereira falaram sobre a importância da memória sobre o Estado Novo.

4-Andam a sair bons livros de História: Fernando Rosas, Lisboa Revolucionária; Irene Flunser Pimentel, A História da PIDE.

5-Aqui fica uma música bem jeitosa. Mais uma boa banda de revivalismo pós-punk. É pena a colagem à voz de Ian Curtis. Não que seja mau. O que é mau é quase todos o fazerem. De qualquer forma é o timbre mais adequado ao tipo de música, portanto... se calhar... olhem, cantem como quiserem:



EDITORS - "SMOKERS OUTSIDE THE HOSPITAL DOORS"

08/11/07

Notas Contemporâneas

1-Não sei quem é o tipo que, na altura em que escrevo este texto, apresenta o programa da RTP2 Clube de Jornalistas, mas devo dizer que é o maior cabeça dura que já ouvi nos últimos tempos. Chiça!!!

Discute-se a questão dos estagiários no jornalismo, os quais, para ele, não são jornalistas. Baseando-se na lei, o tipo diz que os "actos jornalísticos" só podem ser feitos por jornalistas. Há um responsável da Lusa a tentar explicar-lhe há quase um quarto de hora que isso na prática não é bem assim, usando o exemplo de uma excelente reportagem feita por João Soares, que, como sabemos, não é jornalista.

Isto é tão óbvio que nem sei o que diga. Qualquer pessoa pode escrever uma notícia, fazer uma reportagem, etc, desde que siga as regras da escrita jornalística. Se depois o resultado é alguma coisa de jeito, já é outra história, mas não deixa de ser jornalismo. Não acredito que o apresentador não processe isto: apenas quer vincar bem a diferença entre ele, que já anda há 40 anos nas redacções e conheceu o fulano e o sicrano, e tá tá ti, tá tá tá, e os jovens que se iniciam agora na profissão.

Infelizmente, isto cheira-me a mais uma daquelas típicas reacções de malta que está a muito tempo num determinado emprego, muitas vezes sem formação académica, profissional, etc, o que denota medo de perder o lugar para os jovens licenciados. O jornalismo foi assim durante muito tempo. Não existiam cursos. Quem tinha jeito para a escrita e conseguia contactos, lá ia para um jornal e aprendia praticando. Grandes jornalistas nasceram assim. Talvez este tipo teimoso que apresenta o programa seja um deles. Se o é, os anos de experiência deviam acalmar-lhe os nervos...

2-A Biblioteca Nacional resolveu finalmente manter o Serviço de Reprodução de Documentos aberto até às 19h00. Acabaram os stresses para quem só lá vai de tarde, como eu.

3-Neste últimos dias tenho visto a série Edward The Seventh, em DVD. É uma produção britânica dos anos 70 e, como o título indica, conta-nos a vida de Eduardo VII de Inglaterra em 13 episódios. Mas não só. O interessante é que, para além da vida pessoal do príncipe e depois rei, também é recriada a vida da família real britânica, as relações entre os seus diversos membros, e a convivência da rainha Vitória com os diversos primeiros-ministros britânicos da segunda metade do século XIX tendo sempre como pano de fundo os principais acontecimentos políticos, sociais e militares da época.

4-Devo também informar que Fialho de Almeida foi o primeiro escritor nacional a elaborar uma ficção tendo como cenário a vida nos bairros operários portugueses. Foi em 1878, no conto "A Ruiva". O homem já morreu há quase 100 anos, mas está sempre a pontuar. Cada cavadela, cada minhoca.

29/10/07

Love, Death, Travel

Jim Morrison disse que as músicas dos Doors eram basicamente sobre três assuntos: love (amor), death (morte) e travel (viagem)...

AMOR

"Touch Me"

MORTE

"The End"

VIAGEM

"Roadhouse Blues"

E eu acrescento...




REVOLUÇÃO

"The Unknown Soldier"



REFLEXÃO

"People Are Strange"

DESCOBERTA

"Waiting For The Sun"

01/10/07

Revista História - Fim?

Parece que a revista História vai acabar...

Nem vale a pena dizer nada.

De qualquer forma aqui fica o link para a petição.

Nem a casa do Almeida Garrett e a ex-sede da PIDE/DGS se consegue salvar, por isso... temo o pior...

Mas pronto... não se perde nada em tentar...

28/09/07

Sherlock Holmes com Jeremy Brett

Boas notícias!

Parece que a RTP Memória está a transmitir a série The Adventures of Sherlock Holmes de 2ª a 6ª feira, por volta das 19h10. Hoje foi para o ar o episódio 7, e espero que transmitam também as suas restantes temporadas: The Return of Sherlock Holmes, The Casebook of Sherlock Holmes e The Memoirs of Sherlock Holmes. Só me falta comprar uma das caixas com a série completa em DVD, por isso, esta chamada de atenção é para aqueles que ainda não a conhecem. Só pela interpretação do grande Jeremy Brett, Sherlock Holmes merece ser visto. Posso dizer-vos que depois de o ver a interpretar o detective criado por Conan Doyle, nunca mais suportei mais ninguém nesse papel. Todos os actores parecem banais ao lado da performance de Brett.

A série é extremamente respeitadora das histórias originais. As que não o são devem-se ou a qualquer tipo de impossibilidade óbvia de adaptação, ou à doença que afectou Brett na fase final da sua vida (era maníaco-depressivo e tinha problemas de coração). Quase todos os diálogos são reproduções fiéis dos que Conan Doyle escreveu, e as cenas são inspiradas nas ilustrações que Sidney Paget elaborou quando os textos foram publicados pela primeira vez.

Brett morreu em 1995. O seu objectivo era que todas as histórias de Holmes fossem filmadas. Quase que o conseguiu...

Aqui fica o início do episódio "The Red-Headed League".


17/09/07

Fragmentos sobre Expressionismo no Cinema







Voltando ao Caligari. Reparem nestas imagens retiradas do filme.

Como já anteriormente expliquei, Caligari é um filme expressionista. Os artistas expressionistas, quer nas artes plásticas, quer no cinema ou na literatura, procuravam captar não a realidade como ela era, mas sim como eles a sentiam. As suas emoções acabavam por se imiscuir com a realidade, distorcendo-a.

Ora Caligari trata de uma história narrada por um louco, o que torna a experiência de observar os cenários expressionistas do filme ainda mais interessantes. Grande parte destes são apenas papel, cartão, telas, o que transmite uma ideia de artificialidade; para além disso, são recortados de forma estranha. Basta olhar para a janela da terceira imagem - não é um quadrado, um rectângulo ou sequer um círculo perfeito. Como o nosso cérebro tende a olhar para tudo tendo por base a estética clássica das formas perfeitas e direitas, tal cenário acaba por ter um efeito desestabilizador.

Apercebemo-nos rapidamente que não são problemas de orçamento do filme, muito menos amadorismo de produção. Na segunda imagem, podemos reparar que, ao fundo, existe uma espécie de prédio cujas janelas e portas são apenas pintadas no cenário. Na primeira, idem. Por outro lado, os cenários parecem abater-se sobre as personagens, contribuindo para a atmosfera de ameaça, de pesadelo iminente.

14/09/07

Bauhaus e Expressionismo Alemão



Estas imagens constituem o artwork da 1ª edição do primeiro single de Bauhaus, intitulado Bela Lugosi's Dead, raríssimo, e que remonta a 1979. São ambas retiradas dos fabulosos filmes expressionistas alemães do tempo do cinema mudo. A primeira pertence a'O Gabinete do Doutor Caligari, um dos melhores filmes que já vi. E olhem que é de 1920.

09/09/07

Músicas do Berço

A propósito de um post colocado n' A Mona Lisa Tinha Gases, lembrei-me de alguns videoclips que costumava ver quando tinha aí uns 5, 6, 7 anos. Passavam num programa que ia para o aos domingos ao fim da tarde e do qual não me lembro o nome. A razão para o facto de não me ter esquecido dos clips deve residir em duas coisas: o massacre que constituíam, pois muitos deles correspondiam a singles que estiveram no top português meses e meses, às vezes até 1 ano ou mais; por outro lado, uma certa estranheza que deviam causar num miúdo de tal idade. Ao fim e ao cabo, não eram um filme, não eram uma actuação musical, eram algo intermédio, um conceito que eu nunca poderia compreender naquela altura. Aliás, o próprio conceito era recente e, apesar de já antes existirem videoclips, apenas com a MTV estes se sofisticaram e ganharam o seu espaço no universo da música pop-rock e seus derivados.

O primeiro clip que aqui coloquei era para mim um verdadeiro terror, tal como o Thriller. É do Boy George e chama-se "The War Song". A origem do susto estava na figura do Boy George, que, quem não conhece, ficará agora a conhecer. A minha mente de 6 ou 7 anos não conseguia descortinar se o que estava a ver era um homem ou uma mulher... e diga-se de passagem que a maquilhagem lhe dá um ar bastante diabólico. Enfim...

Depois, temos o "Wild Boys", dos grandes Duran Duran, que para mim era fascinante. Ainda hoje é bastante actual... podia ter sido feito ontem. Segundo reza a "lenda", o vocalista da banda, Simon Le Bon, terá corrido perigo de vida quando a roda em que se encontrava preso (quando virem o clip, saberão do que falo) ficou parada quando a sua cabeça se encontrava totalmente submersa.

Seguem-se três massacres que devem ter durado pelo menos 1 ano: "Nikita", do Elton John, "I Just Called To Say I Love You", do Stevie Wonder, e "The Final Countdown", dos Europe. Lembro-me que achava imensa piada ao clip do Elton John, adormecia com o do Stevie Wonder, e era viciado naquela melodia dos Europe. Mas o especialista em Europe era o meu irmão, ele é que percebe do assunto... eh, eh, eh... eu descarto-me já... não tenho nada a ver com isto...










04/09/07

Desabafo Televisivo

O panorama televisivo da madrugada está tão mau que é mesmo desta que vou começar a deitar-me a horas burguesas. Na SIC, temos que levar todos os dias com o CSI... quando digo todos, é mesmo todos! Por mais interessante que a série seja, já enjoa, irra! A TVI passa filmes manhosos... inclusive agora deu-lhe para dar fitas softcore dos anos 80 que só de ver os penteados das actrizes dá vontade de fugir. Só a RTP tem dado alguns filmes interessantes ultimamente. Assim, de repente, lembro-me de uns quantos com o Clint Eastwood, entre eles o Imperdoável. A TV Cabo vai de mal a pior para quem não tem dinheiro para pagar os canais com programação decente. Deste modo, aqui o camponês tem que se contentar com o Hollywood, que dá um filme de jeito cada vez que passa um cometa, o História, que só dá programas sobre guerras (devia ser o Canal História das Guerras, Armamento e Afins), os canais musicais que só dão clips de artistas que surgiram nas últimas 24 horas, etc, etc. Até a BBC Prime, que tinha um espaço de documentários muito bom, o BBC Learning, já não o tem.

Enfim, isto vai de mal a pior.