A vida está cara.
Assim, este ano, a pesca foi pouca. Aqui ficam os livros que comprei por lá:
1-
Brinde aos Senhores Assinantes do Diário de Notícias em 1881. Trata-se de uma raridade que consegui sacar ao módico preço de... 5 euros! Remonta ao ano de 1882 e inclui a primeira edição de um conto de Fialho de Almeida, "O Roubo", que foi depois coligido em A Cidade do Vício, daí grande parte do meu interesse. Comprei-o num alfarrabista, obviamente.
2-Mendo Castro Henriques, et. al., Dossier Regicídio - O Processo Desaparecido.
Esta obra parece-me estar muito bem organizada, para além de basear-se numa análise de numerosa bibliografia e, mais importante, de muitas fontes inéditas e pouco trabalhadas. Ainda não tive tempo para a ler. Apenas a folheei. Porém, já dá para ter duas ideias sobre ela: primeiro, não parece trazer grandes novidades sobre o assunto - novidades no sentido de descobertas; segundo, o seu discurso é bastante faccioso, a pender para o lado monárquico - na verdade, parece-me uma espécie de ajuste de contas com fantasmas de historiadores republicanos ou algo do género. Na escrita da História, devemos fazer um esforço para não deixar as nossas convicções pessoais, inclusive as políticas, interferirem com as análises produzidas, embora saibamos que a objectividade total é impossível, ainda mais nas Ciências Sociais e Humanas. Tal esforço parece não ter existido nesta obra. Mas não me queria alongar mais, enquanto não a ler, para não cair na injustiça.
3-Jack Kerouac, Os Subterrâneos
Um clássico de um dos expoentes da Beat Generation. Escrito em três noites com benzedrina como combustível, é talvez o melhor exemplo da "prosa espontânea" de Kerouac, ou seja, de um estilo de escrita que se queria completamente livre e fluido, sem correcções ou reflexões, bem improvisada, como se de uma música de jazz se tratasse. Aliás, nem existem pontos, apenas travessões...
4-Charles Baudelaire, A Invenção da Modernidade
Trata-se de uma compilação de vários textos de Baudelaire e que me interessam particularmente para a tese.
5-Ambrose Bierce, Dicionário do Diabo
Da autoria de um dos principais escritores e jornalistas norte-americanos da segunda metade do século XIX e início do século XX, desaparecido no México em 1913 ou 1914, este livro dá-nos, com grande humor e lucidez, uma visão de como o mundo é e não como o queremos ver, ou seja, segundo a sua própria definição, cínica, no verdadeiro significado da palavra. Algumas entradas:
"HISTÓRIA, n. Um relato geralmente falso de acontecimentos geralmente fúteis, contados por governantes geralmente velhacos e soldados geralmente tolos."
"HISTORIADOR, n. Bisbilhoteiro em larga escala."
"CONFERENCISTA, n. Indivíduo que tem a mão no nosso bolso, a língua no nosso ouvido e a fé na nossa paciência."
"CIRCO, n. Um sítio onde os cavalos, os póneis e os elefantes podem ver homens, mulheres e crianças a fazerem figura de parvos."
"LEITE-CREME, n. Uma substância detestável que resulta da conspiração maléfica entre a galinha, a vaca e o cozinheiro."
"IGNORANTE, n. Uma pessoa que desconhece certas coisas que nos são familiares, conhecendo outras coisas das quais nunca ouvimos falar."